sábado, 19 de agosto de 2017

Olhando Rastros 05, de Chiquinho Ferreira

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Acompanhe como aconteceu o nosso retorno à Rádio Jornal, por intermédio do grande mestre e excelente companheiro, Glau Peixoto. Aquele que revolucionou o Rádio Sergipano, aquele que marcou e definiu a minha vida profissional. É com muita saudade que relato todas essas passagens do nosso Olhando Rastros. Continuem nos acompanhando!

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Chiquinho Ferreira.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Olhando Rastros 04, de Chiquinho Ferreira

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Foi através de um convite do colega Pedro Rocha, e do então diretor do sistema Atalaia de Comunicação, Evandro Ferreira, que passei a compor o quadro de repórteres do departamento de jornalismo da emissora. Naquela época, o que também determinava ser um profissional de rádio reconhecido, era quem possuía o maior número de contratos registrados na carteira de trabalho. Com apenas seis meses de estágio e seis do primeiro contrato, não pensei duas vezes, subi a Colina de Santo Antônio com fé, fomentada de muita esperança.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Chiquinho Ferreira.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Olhando Rastros 03, de Chiquinho Ferreira

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Dando sequência ao Olhando Rastros, registros importantes em transmissões ao vivo com o pugilista Maguila, e, diretamente do Estádio Estadual Lourival Baptista (Batistão), com os colegas Antônio Barbosa, Luciano Melo e o saudoso Eduardo Abril.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Chiquinho Ferreira.

sábado, 12 de agosto de 2017

Olhando Rastros 02, de Chiquinho Ferreira

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'Voz do povo', assim me sentia após ter sido efetivado no departamento de Jornalismo na Rádio AM 540.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Chiquinho Ferreira.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Radialista Chiquinho Ferreira

Foto reproduzida do Facebook/Chiquinho Ferreira.

Olhando Rastros 01, de Chiquinho Ferreira


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"Agosto é um mês de muitas comemorações, por isso resolvi rememorar a minha história, oportunizando o agradecimento a tantos que foram e são importantes em minha vida. Acompanhem o primeiro post que relata os meus primeiros 'rastros' na comunicação, e aguardem os próximos passos das minhas lembranças e relatos memoráveis". (Chiquinho Ferreira).

Texto e imagens reproduzidos do Facebook/Chiquinho Ferreira.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

O rádio perde Macedo Filho

Imagem Fundação Aperipê de Sergipe.

O rádio perde Macedo Filho
Por Ivan Valença/Blog Infonet.

O rádio sergipano ainda lamenta a morte do veterano Oscar Macedo Filho, ocorrida na última quinta-feira. A missa de sétimo dia está marcada para quarta-feira, as 17h na Igreja de São José. 

Integrante da bancada de jornalistas da Assembleia Legislativa, Macedo Filho foi, nos anos 60 um dos mais populares radialistas da cidade. Depois transferiu-se para Salvador, onde pôs programas seus nas listas dos mais ouvidos do IBOPE. Passou uma boa temporada em São Paulo antes de voltar a Aracaju e integrar-se à equipe da Assembleia Legislativa. 

Vítima de um edema pulmonar, ele deu entrada no Hospital São Lucas a 13 de janeiro e passou 105 dias na UTI. Ocupando um apartamento na São Lucas, ele já se preparava para ter alta quando o seu estado de saúde piorou, deixando consternado todos os seus amigos. 

Era figura muito querida na equipe e deixa uma lacuna muito difícil de ser preenchida. 

O corpo de Macedo Filho foi velado no OSAF da Rua Itaporanga. 

O Governador Jackson Barreto, o Secretário de Estado Zezinho Sobral e a Conselheira Angélica Guimarães fizeram visita de despedida ao amigo.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br/blogs/ivanvalenca

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Radialista Macedo Filho é enterrado nesta sexta-feira

Macedo Filho era servidor da Alese.
Foto: reproduzida do vídeo da TV Aperipê.

Publicado originalmente no Portal Infonet, em 04/08/2017.

Radialista Macedo Filho é enterrado nesta sexta-feira

Ele faleceu na quinta feira no hospital São Lucas

O radialista, jornalista e advogado Oscar Macedo Filho faleceu na última quinta, 3, por volta das 15h no Hospital São Lucas, onde estava internado desde o dia 13 de janeiro. O corpo foi velado no OSAF e o sepultamento ocorreu na manhã desta sexta-feira no cemitério da Cruz Vermelha.

Macedo Filho era radialista e fez história no rádio sergipano com trabalhos na Rádio Cultura AM, Rádio e TV Atalaia, Rádio Progresso de Lagarto, Rádio Liberdade AM, Rádio Educadora de Frei Paulo e há mais de 10 anos apresentava o boletim legislativo na Rádio Jornal AM. Também teve passagens marcantes em emissoras da Bahia e do Estado de São Paulo.

Ele faleceu aos 79 anos, deixando esposa, cinco filhos e quatro netos.

Com informações da Ascom Alese.

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br

Morre, aos 79 anos, o radiojornalista Macedo Filho


Publicado originalmente np site F5 News, em 03/08/2017.

Morre, aos 79 anos, o radiojornalista Macedo Filho

Por F5 News

Oscar Macedo de Souza Filho, um dos profissionais com maior história no jornalismo e no rádio sergipano, morreu na tarde desta quinta-feira (03), aos 79 anos de idade. 

De acordo com informações recebidas pela reportagem F5 News, o jornalista com atuação de mais de 60 anos na comunicação sergipana estava em quadro delicado de saúde há algumas semanas, vindo a falecer no início da tarde de hoje.

Natural de Petrolina, filho de pais sergipanos, Macedo Filho começou sua história no rádio na cidade de Estância, com 16 anos de idade, onde trabalhou com o serviço de alto-falantes da cidade. Lá foi batizado com o nome que perduraria para sempre na comunicação de Sergipe.

Macedo Filho tem em sua história a participação da primeira transmissão da Rádio Cultura de Sergipe, cuja qual fez a locução do show de inauguração da rádio, inclusive. Começou tocando música no programa “Disco que eu Gosto”, seguindo pelos caminhos da comunicação, até chegar ao jornalismo. Sua participação na emissora como apresentador do programa “Caleidoscópio” ainda é lembrada pelas pessoas idosas de Aracaju, como o programa que animava as tardes de domingo antes da transmissão do futebol. 

Macedo passou por várias emissoras do Brasil. Rádio Jornal do Commércio de Pernambuco, Rádio Panamericana de São Paulo, onde foi noticiarista, Rádio Cultura da Bahia e TV Itapuã, onde apresentou o Repórter Esso na Bahia. Macedo Filho também foi editor de vários periódicos ao longo de sua carreira. 

Voltou para Sergipe em 1986, passando pelas rádios Atalaia AM, sendo o percussor do jornalismo radiofônico matinal sergipano. Lá apresentou o famoso programa “Acontece”. Macedo também esteve na Rádio Jornal, Liberdade AM, Eldorado de Lagarto e trabalhou nos últimos anos como jornalista na Assembleia Legislativa. O jornalista é um dos protagonistas da série de documentários “Memória do Rádio Sergipano, Vozes Nossas de Todo Dia”, produzido pelo Portal F5 News em parceria com o Sindicato dos Radialistas de Sergipe.

Macedo Filho está sendo velado no velatório OSAF, na rua Itaporanga, Centro de Aracaju. O radiojornalista deixa viúva e cinco filhos.

Texto e imagem reproduzidos do site: f5news.com.br

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Entrevista com José Paulo de Andrade


Fotos: Carla Arten.

Entrevista realizada por Emilcio Rogério Zuliani, dia 26/03/2010, na sede do Grupo Bandeirantes de Comunicação. Rua Radiantes, 13. bairro do Morumbi - São Paulo - SP.

José Paulo de Andrade nasceu na cidade de São Paulo no dia 18 de maio de 1942. Seu pai, de origem portuguesa, nasceu na cidade de Franca - interior paulista, e a mãe argentina, de origem italiana. Casado, pai de 2 filhos.

São Paulino de coração, é um dos ícones do Rádio brasileiro. Também é detentor do recorde de estar à frente do programa mais antigo do Rádio - “O Pulo do Gato” – programa com as mesmas características, mesma emissora (Rádio Bandeirantes), mesmo horário e mesmo apresentador durante 37 anos.

Aos nossos leitores, o bate-papo agradável e descontraído com o “Zé do Pulo”, ou simplesmente Zé Paulo, como ele é conhecido:

01) José Paulo de Andrade é seu nome completo?

Sim. Não tem mais nada. Mas eu tenho “escondido” um Capelucci que era de minha mãe só que eu não fui registrado com ele. Não posso negar minhas origens. De um lado certamente minha origem é portuguesa. Eu tinha um bisavô por parte de pai que não deixava dúvidas, tinha o bigode retorcido nas pontas. Já a minha mãe é Argentina, descente de italianos. Ela veio para o Brasil pequena ainda. Então eu tenho essa origem, o que explica minha profusão de gestos enquanto falo.

02) Então pela sua origem, explica também um pouco da sua admiração pela “Lusinha” (Portuguesa de Desportos)?

É que a Lusa geralmente é o segundo clube de todos nós. Já tivemos o Juventus que dividia esse título com a Lusa, de certa forma também o São Caetano – até pela projeção que teve - e o que nós lamentamos, foi o título perdido na Libertadores. Ainda essa semana, estávamos comentando e eu citei três títulos: o São Paulo contra o Vélez Sarsfield em 1994 que perdeu nas penalidades no Morumbi, o São Caetano contra o Olympia do Paraguai (o São Caetano havia vencido a primeira partida na casa do adversário), e mais recentemente o Fluminense contra a LDU em pleno Maracanã perdendo três penalidades. Foram os três títulos que o futebol brasileiro perdeu que pareciam ganhos. Então há essa simpatia também hoje pelo São Caetano.

A gente tende a simpatizar com clubes, como exemplo agora o Santo André, que vem fazendo uma belíssima campanha, e já está classificado para a fase semifinal do Paulistão. E a Lusa é sempre querida!

 03) Conte para nossos leitores como foi seu inicio no Rádio.

Meu inicio no Rádio, foi antes de iniciar o Rádio (risos)! Nós tínhamos um grupo lá no Conjunto dos Bancários da Rua Santa Cruz (zona Sul de São Paulo), onde éramos “aspirantes a artistas”, e desse grupo fazia parte a grande cantora Eliana Pittman. Ela era muito amiga da minha irmã, freqüentava a minha casa, e ela já exibia desde a mais tenra idade – na época ela tinha entre 10 a 11 anos – aptidões artísticas.

Tinha também a Mariana Porto Aragão que chegou a ser cantora profissional, e depois se casou com o Jordão Magalhães (que era jornalista), e durante muitos anos comandou o restaurante Patacão no Embu das Artes. Tinha também no grupo jogador de futebol – Valmir Cherpelone que foi goleiro da Ponte Preta, tinha o Abílio Couto - primeiro brasileiro a fazer a travessia do Canal da Mancha. E esse era o grupo que nós tínhamos lá no Conjunto dos Bancários. E eu era o metido a narrar “futebol de botão”, para desespero da minha mãe! Ela ia lá e fechava a porta quando eu estava jogando botão com meus companheiros (risos)... E ela não agüentava! Primeiro por causa do barulho que nós fazíamos – cada gol que saia era como se estivéssemos num estádio de futebol -, e segundo pela minha narração que chegava a irritar porque eu não parava! Eu era já um “papagaio” naquela época.

Bom, aí eu comecei a ser ouvinte de Rádio, e a primeira Emissora que eu me lembro de ter ouvido, foi a Rádio América (AM 1410 kHz – SP), e que por ironia do destino foi onde comecei a minha carreira. E na Rádio América existia um programa chamado “Escolinha da Dona Olinda”, e que era comandado pelo “Nhô Totico” (Vital Fernandes da Silva era seu verdadeiro nome), que foi um grande nome do Rádio e com quem eu vim a trabalhar anos depois. E eu guardo dele uma recordação muito interessante: eu era um fumante inveterado – fui até os 50 anos quando o infarto me indicou que eu havia passado dos limites – e aí corajosamente eu peguei o maço, amassei bem e joguei fora e disse: “não fumo mais!” E o Nhô Totico me via fumar e ficava horrorizado, já naquela época em que fumar era normal, e eu fumava dentro do estúdio para se ter uma idéia... Ai ele mandou um recadinho para mim escrito assim: “O burro fuma? O burro não fuma!”... só isso... foi o recado dele. Se eu tivesse ouvido (risos)... era um sábio o Nhô Totico!

E então eu fui ouvinte do Nhô Totico, isso com 7 ou 8 anos de idade, até porque minha mãe ouvia o programa dele, e que era apresentado no final da tarde, início da noite. Depois eu passei a ouvir a Rádio Nacional de São Paulo – hoje Rádio Globo (AM 1100 kHz). Então eu era ouvinte do programa Manoel de Nóbrega, e comecei a freqüentar o auditório da Rádio Nacional. O auditório ficava na Rua Sebastião Pereira, depois da Rua das Palmeiras (bairro Santa Cecília – região Central de São Paulo), onde hoje está localizada a Estação Santa Cecília do Metrô. Era ali que funcionava o Auditório da Rádio Nacional, e eu comecei a freqüentar o auditório com 13 ou 14 anos. Era assim uma daqueles “chaaaaatos” de auditório, né?

Para você ter uma idéia, eu fui testemunha ocular da estréia do Silvio Santos como locutor comercial do Manoel de Nóbrega. O locutor anterior, que eu admirava muito, que tinha uma voz bonita e está vivo até hoje – o Élcio de Souza – que é publicitário e se deu muito bem nesse campo. Foi exatamente num afastamento do Élcio de Souza que o Manoel de Nóbrega chamava de “Voz de Ouro de 18 quilates”, que entrou o Silvio Santos vindo do Rio de Janeiro. O Silvio aí ganhou o apelido de “Peru (que fala)”, porque ficava meio encabulado com as brincadeiras que o Manoel da Nóbrega fazia, e o Silvio ficava vermelho. Então o Manoel da Nóbrega colocou nele o apelido de “Peru”, que pegou, né?

Eu via a Hebe Camargo – que era anunciada como a “Estrela de São Paulo” e uma belíssima cantora -, e o Ronald Golias que era o grande astro do humorismo. Ele fazia lá um quadro com o Daniel Guimarães. Não tenho certeza se era o Bronco, mas ela fazia seus tipos inesquecíveis. “A Fera do Mar” era o nome da Rádio-novela que ele participava. E tinha aquele “casting” inteiro, muito bom com locutores como Hélio de Alencar, que fazia um programa que dava eco em São Paulo chamado “Parada de Sucessos...” então eu ficava assim “basbaque”..era Fã mesmo!

E eu digo sempre, quem gosta de Rádio antes de ser profissional, foi um “pentelho” de Rádio! Outro profissional que eu vejo como uma reprodução minha assim é o Luiz Fernando Maglioca, que é um grande nome do Rádio, foi nosso diretor artístico na Bandeirantes, e ele era assim também, um rato de auditórios, de estúdios de Rádio, e acabou virando um grande profissional de Rádio. Você precisa gostar! Milton Neves também é outro exemplo...

Muito bem: aí eu fazia lá o Ginásio/Colégio Pasteur, e aos poucos eu fui abandonando essa idéia, porque passou um pouco aquela fase dos auditórios e eu tinha que me preocupar com “o que eu iria ser quando crescesse”. E o destino me coloca naquela sala de aula do Curso Clássico com o Atílio Riccó. O Atílio já na época – hoje ele é um consagrado diretor de teatro, e de TV, recentemente esteve aqui na Bandeirantes concedendo uma entrevista, há um mês atrás – e ele voltou para Portugal. Ele está radicado em Portugal já a uns 6 anos. E o Atílio Riccó trabalhava na época na Rádio Panamericana (atual Jovem Pan) que era a “Emissora dos Esportes”, e ele trabalhava no Plantão Esportivo com o Narciso Vernizi. Aí um dia eu disse ao Atílio: “Olha, meu sonho de criança era um dia trabalhar em Rádio!”, e ele guardou isso. E quando ele saiu da Panamericana e foi trabalhar na Rádio América – que na época pertencia a Bandeirantes – ele se lembrou e me disse assim: “Olha, você me disse que gostaria de trabalhar em Rádio e se você quiser ver como é que é, eu estou indo para a Rádio América e estou começando lá agora, e não posso te garantir salário, e essas coisas...” Bom eu corri para lá, né? E eu disse “não quero nem saber! vamos lá!” Isso foi no fim de 1960.

O meu primeiro trabalho na Rádio América, eu lembro com carinho, foi com Manoel Cristino, que foi um cronista esportivo de nome, e ele fazia programas na TV Paulista (atual TV Globo SP). Fazia campeonatos, e era um grande profissional. E o Manoel Cristino fazia a eleição dos melhores do Campeonato. Então, como é que ocorria o voto? Eu ia aos estádios, sentava no meio da torcida e ficava fazendo as entrevistas...”Qual goleiro para você é o melhor?” E foi assim que eu comecei em Rádio, entrevistando torcedores nos estádios, em vários jogos, até montar uma seleção com os preferidos...

Eu me lembro até que surgiu na época um ponta esquerda do Noroeste de Bauru e depois veio jogar aqui, se não me engano no Corinthians – Gelson – foi um destaque naquele Campeonato Paulista. Eu não me lembro dos demais, mas esse eu não sei porque, eu acho que por ser ponta esquerda e o último (risos), eu acabei guardando. E eu comecei assim! Aí depois fui para o Plantão Esportivo – o Atílio Riccó era a voz do Plantão – e eu era Rádio-escuta, e junto comigo o Marco Antonio Gomes (o Marquinho). Olha só a Equipe da Rádio América: Atílio Riccó, José Paulo de Andrade e Marco Antonio Gomes (risos)... E todos “foca”, né? O Atílio não.. o Atílio já era profissional!

Aí um pouco depois, o Atílio Riccó tinha suas pretensões de ser repórter esportivo, e a Equipe da Rádio Bandeirantes era comandada pelo Pedro Luiz (Paoliello), que era o grande nome da locução. E o Atílio conseguiu vir para a Bandeirantes. Então eu fiquei no lugar dele e eu dividia com o “Marquinho” o Plantão Esportivo. Era assim... uma quarta-feira eu, no fim de semana ele... aí na outra semana nós trocávamos e íamos nos revezando lá no Plantão. Até que 1963 eu vim para a Rádio Bandeirantes, e não sai mais!

04) Foi o Pedro Luiz quem te trouxe?

Foi... ele era o Chefe ainda... e eu disse assim: “Ô seu Pedro, é um prazer estar aqui e conhecer o senhor”... foi mais ou menos assim. Aí teve um dia que eu estava de plantão na Corrida de São Silvestre, e ele me ligou para desejar um bom ano... nooosssaaa... foi uma emoção. O Chefe me liga a esta hora (a São Silvestre era realizada na passagem do ano) em que deveria estar com a família... são coisas assim que marcam, né?

05) Antes de deixar de fazer parte do Grupo Bandeirantes, qual era a programação da Rádio América?

A América tinha programas de auditório. Inclusive eu me lembro que o Juca Chaves tinha um programa de sucesso. O Juca era um “louquinho”, que andava lá pelo Viaduto do Chá (Centro de SP), vestido de smoking e descalço. E ele chamava a atenção, né? E como chama até hoje, porque o Juquinha é ótimo... E ele fazia um programa de auditório, e tinham outros programas.

Aí eu vou recuperar um pouco da historia, porque o Salomão Ésper é mais antigo do que eu lá (na América), porque quando eu entrei o Salomão era o diretor... Ele foi meu primeiro diretor de Rádio. A nossa diferença de idade é essa: o Salomão fez 80 recentemente e eu vou fazer 68! Então são quase 13 anos de diferença. Hoje, não é nada! Mas naquela época era. Eu tinha 19 e ele já tinha 32, ele era diretor quando eu entrei. E aliás um crítico de Rádio... o Salomão é ótimo, né? E às vezes nós ficávamos chateados com ele, porque ele esperava nosso programa acabar – e sabe, nós éramos principiantes – o Atílio Riccó já tinha algum tempo, mas de vez em quando ele dava umas “tropeçadas no português” (risos)... coisas normais para quem estava falando no ar de improviso. E o Salomão ficava na porta (do estúdio)... e falava assim (imitando Salomão Ésper): “É o primeiro programa esportivo-humorístico do Rádio”... com essa voz aguda que ele tem! Ah, eu queria me afundar, mas aquilo tudo foi ajudando a me aperfeiçoar... eram críticas construtivas que ele fazia.

Eu comecei também na Rádio América fazendo jornalismo, e o Lamartine Vilela era o meu chefe – e o Lamartine Vilela veio depois trabalhar comigo aqui (na Bandeirantes) quando eu estava chefiando o departamento de jornalismo da Bandeirantes. Então houve uma inversão ai, ele Lamartine acabou até recebendo isso “numa boa”... ele era o repórter setorista do aeroporto, antes do Amorim Filho - e na programação da América, eu me lembro de ter feito um programa de “várzea”¸ que chamava “Caixa Postal 7200”, que era o numero da Caixa Postal da Rádio América. Então nós saímos pela cidade, para ver jogos, nos campos de várzea. Hoje é impossível você ver campos assim, mas naquela época íamos pros lados da Marginal do Rio Tietê, ou lá pelos lados onde eu morava, onde é a Av. Ricardo Jafet, nos tínhamos vários campos ali. Tinha campos no Bairro da Liberdade, onde hoje é a Av. 23 de maio. E eram jogos assim, como se fossem hoje jogos de campeonato oficial, porque eram grandes times de várzea.

Então tínhamos esse programa na América. E quando eu vim pra Rádio Bandeirantes, eu continuei um tempo ainda, fazendo programas na Rádio América. E foi uma das passagens mais vitoriosas da minha carreira, porque eu fui apresentador musical. Eu apresentava uma programação, que foi trazida dos Estados Unidos, e que se chamava “a Go-Go”, e que estava na moda lá nos Estados Unidos. Então o Caetano Sama – que foi nosso diretor – ele voltou dos EUA encantado com aquela programação de Rádio, e que na verdade é o que o FM hoje faz, mas nós fazíamos em AM... era música jovem... isso ainda na Rádio América. E o meu programa se chamava “Brasa, Balanço e Bossa”. E mais tarde eu trouxe esse programa por um tempo para a Bandeirantes. Mas ai já fora de contexto.

Lá (na América) nós tínhamos uma programação que ia do meio-dia as 6 da tarde. E essa programação começava com o Ferreira Martins (hoje voz “padrão” dos comerciais do Bradesco, entre outros), continuava comigo, e depois terminava com Carlos Alberto Lopes – que tem o apelido de Sossego e que foi importante na divulgação das musicas da Jovem Guarda. E eu tive uma passagem vitoriosa lá! A Rádio América cresceu de audiência e era um sucesso. Quando eu ia para a Zona Leste, eu me sentia um “Roberto Carlos”, porque quando nós três (apresentadores) chegávamos lá, éramos recebidos com todas as festas possíveis. Então tive várias passagens na América...de locutor esportivo...
  
06) Então você saía na Revista do Rádio, para que as pessoas pudessem te reconhecer?

(risos) Não, na Revista do Rádio não. Nessa época nós tínhamos as Revistas Melodias, São Paulo na TV e outras várias. Eu tenho ainda revistas guardadas daquela época.
  
07) Aqui na Rádio Bandeirantes você começou como repórter?

Não... Eu comecei como locutor noticiarista de esportes. Eu fazia um boletim chamado “Atualidades Esportivas”, e que ficou muitos anos no ar. Mas eu vim para a Bandeirantes para substituir o Luiz Augusto Maltoni, que estava passando a ser repórter. E o Pedro Luiz disse assim ao Maltoni: “Se você quiser ser repórter, vai ter que encontrar alguém para substituir você no noticiário”. Porque era o dia inteiro na Rádio, pois eram 4 boletins diários. Era de manhã, por volta de 8 horas; o outro era as 13h; depois tinha outro entre 15h30 ou as 18h; e o último as 21h. Nós passávamos o dia na Rádio... naquela época, eu com 19 para 20 anos, dizia: “Ah! Isso ai é bico”. E isso me atrapalhou na Faculdade de Direito, porque entre o Direito e o Rádio, eu fiquei com o Rádio. Não sei se eu fiz “direito”, mais eu terminei depois. Para a alegria da minha mãe, porque um dia sim um dia não, minha mãe ficava na orelha assim: “Quando é que você vai voltar a estudar? Quando é que você vai voltar a estudar?”

E eu tinha parado no 3º ano na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. E aí eu voltei 5 anos depois, e para terminar o curso eu me transferi para a FMU. Então terminei o curso de Direito lá. Do 3º ano - que refiz – ao 5º, eu terminei na FMU. Eu havia feito do 1º ao 3º ano na São Francisco – e perdi duas vezes o 3º - , mas eu tive pelo menos o gostinho de passar pela São Francisco, né? Mas não dava para cuidar de Direito, para quem tinha o sonho de trabalhar em Rádio. E foi por ai.

08) Então, cursar Direito não foi por necessidade, foi por ser um sonho antigo ou por vocação?

Foi por vocação.

09) Mas nunca chegou a exercer Direito?

Eu cheguei a exercer, mas era uma advocacia “social”, porque eram os amigos e os colegas que vinham me procurar, e o que eu tirei de “maconheiro” da cadeia! (risos) Eu chegava lá para o Promotor e dizia: “O senhor quer o que? Que ele se transforme num bandido?” Eu usava esse argumento para o Promotor. Então era para matar logo ali no nascedouro. Porque cabia ao Promotor fazer a denuncia. E eram colegas aqui mesmo da Bandeirantes: cabo-man, operador, e aí vai... (risos).

Era na verdade a “molecada” que saía por aí fumando e não tinha muito cuidado. E então usava esse argumento e continuava: “Olha, ele tem emprego, e se for condenado, ele já estará na rua! Vocês querem transformá-lo num marginal? Ele não é marginal! É boa gente mas teve esse deslize na vida”... e conseguia, sabe? Mas ai para receber... ahhh!! Você conhece aquela escala do advogado. Se não pedir antes o pagamento, o cliente diz depois: “Mas meu caso era tão simples, que nem precisava de advogado”.

10) Bem, você citou que a narração em si nasceu lá com o futebol de botão. Mas como foi que surgiu a chance aqui dentro da Bandeirantes?

Esse é um outro orgulho que eu tenho. Eu não cheguei a ser um “craque” na locução esportiva, mesmo porque eu fazia muita coisa. E hoje eu oriento os jovens a definir logo o que querem fazer da carreira. Porque eu fazia muita coisa, e quando você faz muita coisa, você faz “mais ou menos” tudo! E eu tive esse problema aqui: eu fazia jornalismo, fazia esportes, e eu ficava sem folga. Foram 10 anos sem folga, e eu vendia as férias. Então hoje, muitas vezes eu penso: “O que é que eu faço no domingo?” Porque no começo foi duro. E eu parei no esporte, quando nasceu meu primeiro filho – Paulo, que hoje está com 33 anos – ai eu pensei: “Não vou ser mais revelação de locutor esportivo aos 40" (porque ai eu já estava com 35). Que horas que eu vou dedicar a esse moleque ai? Ele precisa do pai!” E eu pedi ao Hélio Ribeiro (então diretor artístico da Rádio Bandeirantes) para me afastar do esporte.

Até doeu isso, mas era uma época também que eu já começava a me contestar. Porque era uma época de repressão política, e o futebol foi muito usado pelo Regime Militar. E um dia, eu tive uma depressão  lá Estádio do Guarani, no Brinco de Ouro, e nossa transmissão ia começar assim em meia hora... mas eu ia fazer um “posto” lá, não era o nosso jogo comando. Eu ia só dar informações sobre o jogo. Então eu cheguei mais cedo e parei. Comecei a olhar para cima, para as cabines de Rádio, e eu via lá os colegas narrando (e imitando narrador que narra com velocidade), e me deu uma tristeza aquilo. Pensei: “Sabe, estão acontecendo tantas coisas" – em 1977 foi ano do pacote de abril do Presidente Geisel. Já era uma fase de extensão política, mas ainda havia a censura, e ai me deu uma tristeza... "O que é que estou fazendo da minha vida?” Hoje não. Hoje eu não teria essa duvida, porque eu gosto do esporte e eu acho que o futebol tem tudo de bom. Às vezes tem algumas coisas negativas, como as torcidas organizadas, mas o esporte em si une! É congraçamento, é festa, e eu vejo por esse lado o futebol, e o esporte. Você estar num estádio de futebol, é estar nas nuvens! Mas sabe quando você se sente “usado”? Eu me sentia assim. E ai cristalizou em mim a decisão de parar com o futebol. Hoje eu não teria nem condições, pelo fôlego. Imagine, me falta o fôlego, até pelos problemas cardíacos que enfrentei.

Eu vejo ai como grande revelação da locução esportiva – porque o locutor esportivo é uma espécie em extinção hoje. Com a televisão fazendo todos os jogos e transmitindo até campeonato russo (daqui a pouco vão transmitir campeonato chinês) – então sobra pouco espaço para o Rádio. Mas nos temos ai como grande revelação o Ulisses Costa – o José Silvério já é consagrado – e o Ulisses tem um fôlego privilegiado. Eu dou muito toques para ele: “Olha, se cuida hein? Não engorde muito...” porque ele tem uma tendência a engordar e gosta de comer bem, mas o Ulisses é um narrador espetacular! Das ultimas revelações, ele certamente está no topo.

Então eu tive essa fase de locutor esportivo, e meu orgulho foi começar a narrar na Equipe da Rádio Bandeirantes, que era uma Equipe de “cobras”. E eu comecei a narrar meio por acaso, porque no ano que eu entrei na Bandeirantes houve uma debandada geral. Até o Pedro Luiz saiu, para montar a Equipe 1040 (da antiga Rádio Tupi de SP). Mas antes dele, Darcy Reis, o Braga Junior saíram para a Rádio Record. Junto saíram o Cláudio Carsughi, o Joseval Peixoto, o Orlando Duarte... essa foi a primeira leva que saiu. Depois saiu o Pedro Luiz e levou mais um tanto de gente. Não sobrou ninguém na Bandeirantes.
  
11) O Fiori Giglioti saiu também da Bandeirantes por um tempo, não foi?

O Fiori era “cria” da Bandeirantes, tinha vindo do interior em 1953, e como ele não ia ser escalado para a copa de 1958, ele acabou se transferindo para a Rádio Panamericana. E ai, num golpe de mestre, em 1963 quando o Pedro Luiz saiu para montar a Equipe 1040 e devastou a nossa Equipe, o Murilo Leite – que foi o maior diretor com quem eu trabalhei na Bandeirantes – ele criou o “Scretch do Rádio”. E foi buscar de volta o Fiori, trouxe do interior o Enio Rodrigues, veio também o José Carlos Silva – que era um grande nome da Panamericana - , o Borghi Junior, e montou a Equipe.

Depois veio o Luiz Aguiar – que estava na Rádio Excelsior (atual CBN) - , o Flávio Araújo e ai eu entrei para compor a Equipe como locutor de “meta”. O Luiz Aguiar na época era o titular das aberturas das jornadas esportivas, e eu fiquei no lugar dele algum tempo depois.

12) Nessa época, o repórter também narrava os escanteios, não é isso?

É... foi uma briga que eu tive com o Fiori Giglioti, porque ele acabou com isso de narrar escanteios. E teve um jogo que foi decisivo para essa determinação dele, e depois só locutor principal narrar. E hoje vendo assim friamente, acho até que tinha uma lógica nisso. Mas teve um jogo – acho que foi Palmeiras contra Portuguesa – que saíram 4 gols.

Dos 4 gols, o Fiori narrou só um, porque os outros 3 aconteceram de escanteio. Eu me lembro que eu narrei um, e o José Augusto Maltoni – que estava na outra meta – narrou 2. E ai você já viu: o ápice do locutor esportivo que é “berrar” no gol, e não teve essa chance por 3 vezes. Nós fizemos isso lá nesse jogo.

E alias a locução esportiva brasileira é bem “espalhafatosa”. Outro dia eu estava comentando aqui: brasileiro narra jogo de estrangeiro e grita como se estivesse narrando um jogo daqui. Eu não aceito muito isso! E jogo do Brasil contra seleções estrangeiras, não tem que gritar. Tem que fazer como o locutor paraguaio outro dia (num jogo da Libertadores, contra o Corinthians) que só disse: “Que lástima!Triste!Ronaalldo” Ou como o Silvio Luiz: “Ihh... deu zebra”...

Então eu comecei a narrar futebol assim. Numa dessa eu fazia “posto”, e teve uma diferença no final do jogo, onde sobraram 5 ou 10 minutos, e eu engatei meu futebol de botão lá – o chefe de esportes nessa época era o Jorge Rodrigues Melo – e ele gostou e disse: - "Vou de te dar uma chance ai..”, e ai eu virei o “Locutor da Rua Javari” (onde está localizado o estádio do C.A. Juventus da Mooca, capital paulista).

O que eu ia para a Rua Javari no sábado... olha eu mereço uma estátua lá, viu? Eu, o Borghi Junior e o saudoso Antonio Rangel (então locutor da Equipe 1040 da Rádio Tupi-SP). Éramos nós três que nos revezávamos nas transmissões da Rua Javari e nos encontrávamos sempre lá. Ai eu o encontrava e dizia: “Mas Rangel, você não tem nada melhor que fazer num sábado? E ele dava risada... Nós comíamos tremoço lá... a Rua Javari é uma delícia!Eu tenho saudades lá do estádio. Era uma coisa simpática!

13) Mas você não estava na Rua Javari no dia daquele gol antológico do Pelé, que foi recriado em computador recentemente para o filme “Pelé Eterno”?

Não, não estava. Ali naquele jogo tinha aproximadamente 1 milhão de pessoas, sendo que nos estádio cabiam 8 mil! Um milhão de pessoas viram o gol do Pelé... o que tem gente que diz: “ahh eu estava lá nesse jogo”... (rs)

14) José Paulo, você já nos disse anteriormente que em 1977 foi o ano em que decidiu largar de vez o esporte, e ficar só no jornalismo...

Você vê como são as coisas: a vida apronta algumas pra gente! Eu sou de um signo de terra – Touro - , pés fincados no chão e não gosto de nada temporário ou provisório. Para mim tudo é definitivo. E infelizmente às vezes a vida apronta umas com a gente, não é? Mas eu procuro fazer de tudo para que as coisas sejam definitivas na minha vida.

Eu tinha tudo para ser – depois que eu parasse como locutor -, um chefe de departamento esportivo. Inclusive eu havia substituído por algumas vezes o Darcy Reis, e eu tinha uma boa experiência em saber programar os jogos e reservar linhas (telefônicas) – hoje tudo é mais simples – naquela época era mais complicado, mas eu havia aprendido aquela mecânica toda. E ai quis o destino que eu parasse em 1977 – isso foi em março – e o Hélio Ribeiro era o diretor artístico da Rádio, e o chefe de Jornalismo era o Gabriel Romero. Só que o Gabriel Romero era diretor de Jornalismo também da TV Bandeirantes. Então o Gabriel ficava com a parte administrativa da Rádio e deixava nas mãos do Hélio Ribeiro o comando do Jornalismo da Rádio Bandeirantes. Porque com o Hélio Ribeiro “não tinha para ninguém”! Ele açambarcava todos os poderes. Ele era o “Todo Poderoso” da Rádio Bandeirantes! E o Hélio Ribeiro estava a frente do Jornalismo, e numa época ele tirou férias – e a coisa já estava mal encaminhada, além disso a Rádio Capital de São Paulo estava começando e havia feito um convite a ele (Hélio) que era um dos profissionais mais requisitados do Rádio – e já havia um “zum zum zum” nesse sentido.

Então houve a troca do Superintendente daqui (Murilo Leite), e o Salomão Ésper assumiu a Superintendência. E então, o Gabriel Romero já tinha planos para deixar a chefia do setor de Jornalismo, - e eu era também locutor do telejornal da TV Bandeirantes naquela época – e o Gabriel Romero sugeriu meu nome para a chefia de Jornalismo, que não era do agrado do Hélio Ribeiro.

Aliás, quando eu "passar para o outro lado", eu vou saber por que nós (eu e o Hélio Ribeiro) tínhamos tantas divergências, se eu era um admirador dele como profissional de Rádio e eu sei que ele gostava de mim como profissional de Rádio. Mas nós não conseguíamos nos entender: era só nos encontrarmos nos corredores, que começávamos a xingar um ao outro! Era uma coisa gratuita até! Eu não sei, mas os “santos não bateram”... era difícil o diálogo.

Mas o Gabriel Romero sugeriu meu nome, e o Hélio Ribeiro não gostou. E ai a coisa apressou, porque o Hélio achava que ele deveria ser o Superintendente, e teve esse problema político aqui na casa. E o Hélio acabou saindo daqui (para a Rádio Capital SP) e eu assumindo o Departamento de Jornalismo. Era uma coisa que eu nuca pensei na vida! E eu comecei ali o meu aprendizado de “Chefe”. E isso é uma coisa que eu não quero mais! Foi o suficiente. Foram 17 anos. E depois que isso passa, eu vejo quantos erros eu cometi! E injustiças... e não quero jamais passar por isso novamente.

Na hora em que você está ali no cargo, é obrigado a tomar decisões nem sempre simpáticas, e que não agradam a todos. Hoje eu tenho consciência de que fiz muita coisa boa, mas também fiz muita coisa errada. Eu acho que nós vamos evoluindo. Fiquei ali por 17 anos, e quando tive o enfarto aos 50 anos – que segundo dizem é a idade media para o jornalista sofrer, ter problemas coronários, e eu sofri exatamente aos 50 anos que completei em maio, e em outubro tive o “piripaque”.

15) Por quanto tempo você ficou afastado das atividades, quando sofreu o enfarto?

Por 3 meses. Hoje em dia, logo após a cirurgia o medico já “te põe para andar” . Para você ter uma idéia, eu coloquei um “stent” (prótese metálica utilizada em procedimentos coronarianos) há 3 anos – devido a uma obstrução de 90% de uma veia coronária chamada “circunflexa”- e eu coloquei o “stent” numa terça-feira e na segunda-feira da semana seguinte eu já estava retornando ao trabalho. Isso foi em 1992.

16) Mas voltando a 1973, você começou no Pulo do Gato...

Nessa época eu era um dos locutores do Jornal “Primeira Hora”. Éramos eu, Salomão Esper, Fernando Solera (atual narrador esportivo da TV Gazeta SP) e o Lourival Pacheco. Fernando Solera foi um dos excelentes locutores noticiaristas que tivemos na Rádio Bandeirantes. Essa foi a equipe que mais marcou, com a minha participação, no Jornal “Primeira Hora”.

17) Mas o convite para substituir o Gióia Junior no “Pulo do Gato”, surgiu do próprio Hélio Ribeiro?

Foi mais ou menos isso. O diretor executivo era o Jair Brito – que depois casou com uma sobrinha do Fiori Gigliotti, a Regina – e ele Jair insistia com o Hélio Ribeiro desde o começo, que o programa que iria entrar no ar, deveria ser apresentado por mim. Mas como nós tínhamos ai esse “choque”, o Hélio Ribeiro resistiu. Resistiu e colocou na apresentação o Gióia Junior – apresentador nos primeiros 15 dias de o “Pulo do Gato”. O Gióia tinha um programa de grande repercussão no fim da tarde – era o “Chega de Prosa” – era assim aquele “bálsamo” para quem estava no trânsito. E o Gióia Junior faz falta hoje, porque nós não temos no ar nenhuma pessoa para te acalmar, nessas horas de pico. E ele era assim, meio “Pastor”... E aí de manhã, as 6 horas para “botar” a turma para fora da cama, com aquele estilo... e ele mesmo sentiu! Ele chegou ao final da primeira semana e falou: - “Olha, não é para mim esse programa. Primeiro porque eu não gosto de levantar cedo, e já tinha uma atividade política na época (posteriormente foi vereador da cidade de São Paulo). E segundo, o meu estilo não é o que vocês estão querendo”.

Ai o diretor Jair Brito voltou à carga, e o Hélio Ribeiro se “rendeu”. Mas quando veio o convite para mim, eu logo pensei: - “Ahhh. Estão querendo ‘puxar o meu tapete!! Querem me tirar do principal jornal da casa, para colocar num horário de domínio “sertanejo”...(risos)". Mas olha os erros que as vezes você é obrigado a cometer. Então foi um erro de avaliação! Mas eu era um “soldado do quartel”, e disse “vamos pegar esse limão ai, e fazer a limonada”.

O Hélio Ribeiro me cobrou 20 anos depois, quando ele estava nos Estados Unidos, e foi logo depois do meu “piripaque”... foi em 1993, nas comemorações de 20 anos do “Pulo do Gato” disseram: - “Vamos ligar para o Hélio Ribeiro”... e eu respondi: - “Olha! vai dar ‘caca’ isso ai! Não vai ser bom ligar para ele!” e o Hélio era nosso correspondente lá nos Estados Unidos, nessa época, e inclusive ele tinha uma boa participação.

Ahhhh... mas ele não perdoou! E foi dizendo no ar: “Pois é! E quando foi convidado, o José Paulo de Andrade não queria aceitar. Porque ‘não sei o que’...” E o Gióia Junior estava junto comigo no programa e sussurava: - “Você não fala nada... deixa que eu falo”. E o Gióia, cheio de poesias e tal, deu uma maneirada... Mas o Helio deu uma “porrada” no ar ali (risos), e eu tinha que agüentar calado! Porque era verdade mesmo! Eu tenho essa gravação ainda.

18) O “Pulo da Gato” tinha só meia hora de duração no início, certo?

Tinha meia hora, tinha entradas de Porto Alegre, de Belo Horizonte, e que interessavam ao anunciante que era as “Pilhas Eveready”. A empresa tinha interesse de entrar nesse mercado, mas não tinha nada a ver com o programa, aqui em São Paulo!

E então aos poucos, com o saudoso Gualberto Curado, que foi um grande companheiro e o produtor que me acompanhou mais tempo no “Pulo do Gato”, pelo menos 20 anos. E nós fomos fazendo um laboratório, mudando algumas coisas. Tocávamos musicas, e era bem diferente. E então começamos a montar mais ou menos o que é hoje o programa que está no ar.

Para se ter uma idéia, tivemos até seção filatélica! E ai, quando eu cheguei a conclusão de que quem ouvia isso era só a família do jornalista que deu a idéia, eu parei com isso. Depois disso, tivemos outras idéias assim... eu respeito as opiniões, mas não gosto.

19) Então realmente o nome “O Pulo do Gato” surgiu devido ao patrocínio das Pilhas Eveready, que tinha o slogan “A Pilha do Gato”?

É isso mesmo. Naquela época em que surgiu o “Pulo do Gato”, os programas eram intitulados “Show da Manhã”, “Show da Madrugada”, “Show disso”, “Show daquilo”, “Show da Rádio”, quer dizer tudo era “Show”... e ai aparece o “Pulo do Gato”. E diziam: “Nossa mãe! O que que é isso?”

20) Hoje em dia, essa relação da "pilha com o nome do programa" parece meio folclórico, mas foi assim que surgiu o nome e tinha tudo a ver...

É verdade... tem tudo a ver... a pilha com o nome do Programa... mas para que mudar, não é? Então volta e meia me perguntam: - “Por que Pulo do Gato?” Ai eu respondo: “É por causa daquela fábula mineira, que tinha a onça que achava ter aprendido tudo, mas o gato foi mais esperto...” E é esse “Pulo” que me salva até hoje!

21) E nesse contexto, como surgiu a idéia de aproveitar a temática do extinto programa “Nada além de 2 minutos” como referência ao “Pulo do Gato”?

Para não dizer que eu sou um gênio – porque o Rádio está cheio de gênios, da mesma forma que o Brasil foi redescoberto em 2002, o Rádio também está cheio de inventores – então eu era ouvinte desse programa “Nada além de 2 minutos” que foi um sucesso da Rádio Nacional do Rio, e posteriormente veio a ser transmitido também na Rádio Nacional de São Paulo (atual Rádio Globo).

Então não tinha nenhum assunto que passava de 2 minutos. E olha, é perfeito isso: até 2 minutos você presta atenção. Passou disso, você já começa a desviar. Essa fórmula foi aplicada no programa desde o começo. Além disso, tinha um outro programa que eu ouvia na hora em que eu levantava, enquanto eu apresentava o “Primeira Hora”, que era o “Rádio Folhinha Ford”, era apresentado aqui na Rádio Bandeirantes, pelo Luiz Ayala. Ele era um apresentador baiano, que também marcou uma grande época na Rádio Bandeirantes. Ele inclusive ocupou antes do Vicente Leporace, o horário das 8 da manhã.

E ai o Luiz Ayala teve um desentendimento, porque ele saiu candidato a vereador, e a casa estava apoiando um outro nome... e o Ayala falou umas “bobagens”no ar (risos), e no outro dia entrou o Suplemento Musical do Programa “A Hora do Arara”, que era o nome do outro programa dele. E ai o Leporace que já estava na casa e fazia “Laboratório Musical”, - era um crítico feroz dos discos -, então o Leporace passou a apresentar “O Trabuco”. Foi assim que o Leporace entrou para a programação, em 1963, no ano em que eu entrei aqui.

22) O Vicente Leporace era mais ou menos como o Flávio Cavalcanti? Saudoso apresentador de TV e também crítico musical, que ficou famoso por quebrar no ar, os discos das músicas que ele achava ruim.

Era sim... era. Eu me lembro que uma vez o Jerry Adriani havia gravado uma música intitulada “13º andar”, e o Leporace sugeriu que o Jerry Adriani pulasse do 13º andar (risos)... e ai o pai do Jerry Adriani foi até a Bandeirantes tomar satisfação... ele queria agredir o Leporace, por ter falado isso do “filhinho” dele... (risos). O Jerry quando lembra disso, morre de rir, né?

E os críticos eram ele (Vicente Leporace), o (Alfredo) Borba, o Flávio Cavalcanti. O Alfredo Borba também era outro crítico feroz... era a turma com quem eu convivia.

Então esse Programa “Radio Folhinha Ford” do Luiz Ayala, também me influenciou, porque ele era um programa variado e tinha de tudo. Tinha Previsão do Tempo, tinha horóscopo – e horóscopo eu cheguei a ter um tempo no “Pulo do Gato”, com o Omar Cardoso, que no começo do programa deixava umas pílulas gravadas. Depois a Dione Fortes também fez isso. A Dione é uma profissional maravilhosa! Mas ai horóscopo nesse horário, não sei, tem muita gente que não gosta, e paramos com isso. E para você ver que até isso nós fizemos de laboratório, para chegar na fórmula que hoje está no ar.

23) José Paulo, de onde surgiu o slogan “Olha aula, olha hora”?

Olha, até nisso ai, não fui eu o criador. O Silvio Santos (no Rádio) falava o “Olha a hora”, e ai eu adaptei o “Olha aula, olha hora” . E outro dia, eu vi uma citação do Celso Zucatelli (na TV Record) – aliás eu precisava dar um puxão de orelhas no Zucatelli. O Zucatelli disse no ar: - “Parodiando o Luciano Faccioli, 'Olha a hora, Olha a hora!'” Então o Facciolli já adaptou também, entendeu? Então ele não fala “aula”, mas fala “Olha a hora, Olha a hora!” Fala olha a hora duas vezes. E que chama a atenção isso.

Mas é do Silvio Santos isso. O Silvio Santos falava “Olha a Hora” e como ele parou de fazer programas de Rádio – e foi um dos programas que mais tempo ficaram no ar. E hoje eu tenho a pretensão de estar mais do que ele ficou – e como eu não tenho a pretensão de ser dono de nenhuma Emissora de Televisão, quem sabe!!!

24) Como é que você lida com esses depoimentos quase diários no programa (Pulo do Gato), de “amor e ódio” aos miados do gatinho (da vinheta “O Pulo do Gato”)? E eu estou me incluindo nisso...

É interessante... é interessante? Hoje você gosta, mas num determinado momento da sua vida você odiou. Então o que eu digo para as pessoas: - “Olha lembre-se que na hora que você está acordando nervoso com o miado do gato, eu já acordei, e já acordei faz tempo!" (risos) É mais ou menos por ai a minha defesa do gato. E é marcante. O interessante é trinta e tantos anos depois (o Programa completou 37 no último dia 2 de abril) – daí é que você se conta que está ficando velho – mas você começa a conhecer pessoas que já são profissionais consagrados: médicos, engenheiros, advogados, e que ouviram o “Pulo do Gato”. Ai eu digo - “Mas não é possível, você é mais velho que eu. Como é que você pode ter ouvido o Programa?” (risos) - “Ah, eu ia com meu pai para escola...” Sabe essas respostas? (risos)

E então as vezes eu faço as contas: Digamos que o cidadão que tivesse 50 anos em 1973, e está com quase 90 agora, o filho dele está com uns “60 e tanto”, no máximo 70. (risos) Que é a minha idade, e que já tem filhos e netos. Então, já vai para a quarta geração de ouvintes e de audiência do programa (Pulo do Gato). E também nós temos ai a herança do Vicente Leporace! A maioria diz em depoimento:
- “Ah, eu ouço a Bandeirantes desde o tempo do Leporace”. E assim fica mais ou menos como “antes de Cristo e depois de Cristo”, entendeu? "Antes de Leporace e depois de Leporace”! E veja, o Leporace não ficou tanto tempo no ar aqui na Bandeirantes. Ele ficou de 1963 a 1978. Foram 15 anos de programas, pois ele faleceu em 1978. Ele foi muito marcante. Mas ele teve um tempo muito maior na Rádio Record. Ele fez a carreira dele toda na Record, inclusive com participações na TV Record, com “Gincana Kibon”, ao lado da Clarice Amaral, e ele foi mais marcante na Bandeirantes. É impressionante, a identificação do Leporace, com a Bandeirantes, e foi a fase final da carreira dele.

Aliás tem uma curiosidade. Eu trabalhava na Rádio América, e uma vez no Programa do Leporace – acho que foi na “Gincana” que ele falou – nessa época surgiu as brincadeiras com os baianos. Tudo era baiano! Porque o baiano fez isso, fez aquilo... e até substituíam os portugueses nas piadas durante um bom tempo. Contava-se piadas de portugueses, como sendo baianos. E aí o Vicente Leporace (ainda na Record) sacou assim: - “Bronca de baiano é como a Rádio América: Ninguém Ouve!” E nós que trabalhávamos na Rádio América ouvindo aquilo, nós “odiamos” o Leporace! Pois você sabe que quando o Leporace saiu da Record – porque ele teve lá um problema com o Dr. Paulo Machado de Carvalho, e era um problema que não dava para voltar atrás – e o Leporace veio para a Bandeirantes, porque o João Saad o convidou. Só que não tinha lugar na Bandeirantes! E como a Rádio América fazia parte do Grupo, onde foi parar o Leporace? (risos) Na Rádio América!!!

E ele começou fazendo um programa de jornalismo, com o Arapuã (apelido do jornalista Sérgio de Andrade), que faleceu recentemente (outubro de 2009). E ele foi nosso diretor na TV Bandeirantes também... e ele era um humorista, um jornalista maravilhoso. Eu trabalhei com o Arapuã, com ele narrando, e eu fazendo a apresentação de “Luta Livre”.

Mas o Leporace veio justamente para a Rádio América para fazer justamente um programa chamado “O Morcego”, junto com o Arapuã. Era transmitido as 8 horas da noite, numa época em que a televisão não tinha essa força que tem. E o Rádio tinha audiência. Naquela época, quando eu comecei, o comentário do Pedro Luiz as 8h35 da noite dava eco nos bares de São Paulo, e onde você passava, se ouvia o “Comentário do Pedro Luiz”. E o Leporace entrou justamente na Rádio América, que ele havia dito “que era como bronca de baiano, ninguém ouvia”.

25) Diga aos nossos leitores, em forma de depoimento, o que o “Pulo do Gato” significa na sua vida.

Tudo!! O “Pulo do Gato” é tudo! Sabe que quando eu tive o enfarto, o presidente João Saad me chamou e falou: - “Olha, eu sei como é que é” – porque ele havia enfartado também e tinha lá as “safenas” dele – e continuando João Saad “E você precisa se poupar agora, e eu acho bom você deixar o “Pulo do Gato”... e eu: - “Nããããoo... pelo amor de Deus...!!! Largar o ‘Pulo do Gato’? Eu largo todo o resto. Largo a chefia do Departamento – porque eu ainda era chefe na época – Eu largo tudo, mas não saio do Programa! Ele é tudo pra mim.

E é engraçado, né? Eu rejeitei. Rejeitei não. Eu fiquei desconfiado quando do convite. Eu não tinha como rejeitar porque eu estava aqui para cumprir ordens. Mas você vê como é que é? É o que marca a minha vida! Hoje, é o orgulho que eu tenho de dizer “Puxa, é o Programa mais duradouro, com um apresentador só”, e as vezes sou até mal interpretado nisso. Não é que eu seja o apresentador mais antigo. Isso não! É o programa com as mesmas características, mesma emissora, mesmo horário – e agora estamos até com meia-hora mais cedo – e mesmo apresentador não tem!! Não tem outro programa no Rádio. Então para mim é um orgulho, e uma satisfação. Mas eu não “boto banca” por causa disso. E você sabe como eu encaro a profissão? É assim. Você prova a sua competência todos os dias. Ai você sai de férias de um mês, e botam um substituto. Na primeira semana todo mundo “odeia” o substituto, e diz: - “Ahhh... que falta faz o fulano lá”. Na segunda semana já começam a dizer: - “Puxa, mas esse cara ai até que é bom!” Pronto: na terceira semana ele já ganhou o programa, entendeu? (risos) E na quarta semana, na hora de você voltar, dizem: - “Puxa vida! Aquele chato vai voltar de novo? Poxa, tava tão bom assim”... e é mais ou menos assim que se passam os programas.

E na TV então, é ainda mais rápido. As pessoas se esquecem rapidamente. No Rádio ainda demora um pouquinho mais, mas também não demora tanto não. Ninguém é insubstituível. Teve um ouvinte que sacou uma boa na morte do Antonio Carvalho. Ele disse: - “Ninguém é insubstituível, mas ninguém vai ser igual ao Carvalho!” E é verdade! O Antonio Carvalho era fora de serie. Eu já tentei até estudar aquelas “coisas dele” (Antonio Carvalho era professor de Eubiose - filosofia que visa a harmonização do ser humano com o Ser Divino e a harmonização com as leis universais), mas preciso de uns 120 anos para chegar aonde ele já havia chegado, entendeu? Como eu não vou viver mais 120 anos, eu desisti no meio do caminho... E ele era realmente diferente,sabe? Era um cara que não existe outro. Não era insubstituível, mas não tem ninguém igual.

26) Nós até citamos no Bastidores do Rádio, sobre a excelente atuação do Agostinho Teixeira, durante suas últimas férias...

Você é um traidor, tá vendo? (risos) mas foi... foi muito bem o Agostinho. Assim como a Silvania Alves, no “Pulo da Gata” também é uma coisa interessante no ar. Eu gosto muito da apresentação que a Silvania faz! Quer ver outro: o Luís Artur Nogueira (Editor de Economia) faz muito bem o Programa, sabe? O Haisem Abaki fazia. Mas ai não é nem por eu ser melhor ou diferente, sabe? É que eu sou o titular do Programa, e então corre sempre o risco da comparação. Se eu for fazer o programa do Datena na TV, eu posso ser melhor do que ele, só que ele é o Datena (risos). E acabou.

27) E o que significa para o Rádio o Programa o “Pulo do Gato” na sua visão?

Eu nunca pensei nisso... Puxa você vai fazer eu perder o sono... Bom não sei se tem significado pro Rádio, mas sim para os profissionais de Rádio, que é a “perseverança”! Você acreditar, que o mais difícil depois que você atinge uma determinada posição é mantê-la.

Eu não sei quanto tempo ainda, o “Pulo do Gato” vai liderar a audiência da manhã. Eu já fui 3º colocado numa época em que predominavam os programas policiais, programas sertanejos. O Eli Corrêa foi meu grande adversário durante muito tempo. O Eli é um fenômeno de audiência. O Eli é assim, de arrastar as multidões. Hoje já mudou, já mudou o quadro. O que mudou foi o Rádio ou foi o ouvinte? Foi o ouvinte! O ouvinte se tornou mais crítico, mais necessitado de informações, e então ele não quer simplesmente entretenimento. Pode até misturar um pouquinho, mas quer informação. Então ai é que eu vejo que o “Pulo do Gato” atendeu a essa necessidade.

Mas eu fui muito tempo terceiro lugar, depois segundo lugar. Tinha o Zé Béttio também que era um grande concorrente do horário. E os programas policiais, já eram pouco mais tarde. O Afanázio Jazadji, o Gil Gomes... todos grandes profissionais.

Eu vejo hoje como grande concorrente da Bandeirantes e especialmente dos meus horários, o Heródoto Barbeiro (da CBN), é um profissional que eu respeito muito. Na Jovem Pan tem o Joseval Peixoto. O Joseval era do meu início aqui. Eu fazia o Plantão na Rádio América e ele estava começando a narrar pela Bandeirantes. E são grandes profissionais que estão ai.

Eu acho que o que eu tento passar – porque às vezes me questionam: -“Puxa, mas você faz o Programa a tantos anos. Como é que você ainda tem disposição. Você ainda agüenta fazer?” Eu digo: - “Tenho, tenho e eu me cobro todos os dias que eu tenho que fazer Programas bons”. Eu fico muito chateado quando eu dou fora. Porque às vezes você falando de improviso, acaba esquecendo um nome, esquecendo uma data, ou falando coisas que não tem a ver... Eu fico louco da vida comigo mesmo. E xingo... chego no espelho e falo: “Eu te odeio”... sabe essas coisas? Ai no dia seguinte eu falo: - “Ah não! Hoje tem que sair tudo perfeito!” E procuro fazer o meu melhor.

Eu tenho as minhas limitações, e tenho plena consciência disso. Eu não me meto em assunto que eu não entenda. De vez em quando eu tenho até uma “coceirinha”, mas eu digo “Eu não vou entrar aqui!” Por exemplo: Meio ambiente, é uma coisa que não é do meu agrado. Eu sei que é importante, que eu dependo do Meio Ambiente para respirar, para viver, mas o tema não é um assunto que me seduza. Então eu procuro evitar dar opinião nesse assunto. Sobre Bioma, sabe essas coisas? É que o pessoal que domina o assunto cria termos e tudo mais, que é para que uma meia–dúzia só fique sabendo e comentando. E o resto passa a ser “ignorante”, então eu me coloco como “ignorante”. Existem várias “bibliotecas” que eu não li ainda...

28) E na Rádio Eldorado AM (700 kHz) existiu um programa que parecia um “Pulinho do Gato”... (referência sobre o extinto programa “De Olho na Cidade”, que era comandado pelo jornalista/repórter-aéreo Geraldo Nunes).

Ah, o Geraldo Nunes? Mas o Geraldo era autorizado! Eu falei para ele: -“O único que tem autorização é você! Você pode fazer o ´Pulinho´ lá (na Eldorado AM). Lamentavelmente, eu fiquei muito triste que o programa saiu do ar, depois que a Emissora mudou a programação. O Programa do Geraldo Nunes era ótimo! Ele tem ainda o “São Paulo de Todos os Tempos”, que fala sobre a memória de São Paulo... o Geraldo é muito competente. Mas ele não era um clonezinho, e ele estava autorizado porque durante muito tempo ele participou do “Pulo do Gato”... ele trabalhou conosco aqui na Bandeirantes. Ele era nosso repórter no COPOM da Polícia Militar. E também era Repórter Rodoviário.

A Vera Lucia Fiordoliva (esposa do Luiz Carlos Gertel), o Geraldo Nunes, o Ivan Quadros, são todos “crias” aqui da casa.

29) José Paulo, você acha que “O Pulo do Gato” vai ter continuidade quando você se aposentar?

Ah... essa é uma pergunta que deve ser feita pro futuro Diretor de Jornalismo... Ahh mais certamente não, porque tudo se renova. Eu acho que não. Não também, em razão do que eu já havia dito anteriormente: corre-se sempre o risco da comparação. Ai eles põe no Programa o nome “O Show da Manhã”... não... o Show da Manhã já existe... eles que inventem outro nome pro Programa. Depois de “O Pulo do Gato” vai ser difícil inventar outro nome.

30) O que aconteceu para essa sua volta ao Jornal “Primeira Hora”, atuando como Âncora na primeira meia-hora?

Essa volta foi uma estratégia de audiência. Como o “Pulo do Gato” lidera o horário até as 7 horas, o José Carlos Carboni , que é o diretor de Jornalismo, entendeu que se eu continuar no horário (no início do 'Primeira Hora'), posso trazer a audiência para o Jornal... Eu não sei. É uma teoria, e eu não tenho muita certeza disso. Mas de qualquer maneira eu fiquei lisonjeado com o convite, apesar do Haisem  Abaki também fazer muito bem esse trabalho, e ele continua fazendo das 7h30 às 8h, e nós temos uma interação muito grande. Lógico que gostar, ele não gostou de sair. Porque, afinal era a parte nacional do programa.

Mas ele acabou entendendo. Essa parte foi superada, e o Carboni colocou os motivos para ele... Mas eu não tenho certeza! Eu gostaria de ter essa força assim de “Eli Corrêa”, e de “arrastar multidões”. Eu não tenho essa certeza, mas estou lá ancorando e estou gostando, e estou me realizando em fazer essa meia-hora a mais (no “Primeira Hora”).

31) Como é trabalhar com o Salomão Ésper há tanto tempo?

Agora você me deixou a vontade aqui... O Salomão é a pessoa com quem eu convivo a mais tempo na minha vida. Eu já disse isso várias vezes, e é a verdade, porque eu conheço o Salomão quando eu entrei na Rádio América, com 19 anos, eu já estou quase completando 68 anos. Então faça as contas, são quase 50 anos de convívio diário!!

Não é que eu conheço o Salomão Ésper, é convívio diário!! E de grandes brigas entre nós, por várias questões... como do programa mesmo. Sempre no intuito de um “cutucar” o outro...(risos)... Ontem ele chamou minha atenção – mas é que eu estava no “auge”da minha irritação com a “Orácula da Prefeitura” (sobre a vice-prefeita Alda Marco Antonio) – e eu disse assim: - “Mas será que é só da boca dela que sai essas coisas?” Ai o Salomão já emendou: -“Ähh... da boca dela essas cobranças?” mas vem de longa data essa convivência. E outra coisa: o que eu “baforei” de fumaça de cigarro na cara do Salomão, anos e anos a fio dentro do estúdio, é a prova de que, ao contrário do que dizem as autoridades, o fumante passivo não adquire doenças pulmonares não... porque senão o Salomão Ésper já teria morrido, pelo tanto que eu “baforei” na cara dele...(risos).

32) Você acha que o "Jornal da Bandeirantes Gente” transmite ao ouvinte um aspecto de bate-papo informal entre amigos, tanto quanto é um programa de debates?

Olha, qualquer programa que envolva debates, é complicado de fazer. Porque é preciso tomar um cuidado muito grande para não “encavalar” as vozes. Porque o Rádio tem isso de ruim: a hora que tem duas ou três pessoas falando ao mesmo tempo, fica insuportável para o ouvinte. E às vezes nós que estamos no estúdio não percebemos isso, e deixa ocorrer esses deslizes assim...

Eu tenho uma experiência que os outros não tem, que é ter sido locutor esportivo. Então como locutor esportivo, você coloca aquele fone de ouvido, e ouve o repórter que está no campo, o plantão esportivo... E com isso a sua audição vai ficando bem seletiva. Então no “Gente” eu separo isso. Quando não sou eu que estou esbravejando e falando da “Orácula” – que me irrita profundamente – ai eu percebo as coisas e faço sinal pros outros companheiros, para falarem um de cada vez e tal, para não “encavalar”.

Você acha que é isso? Eu estou tendo essa sua “audição” de que é um bate-papo. Às vezes é... Mas eu não sei, eu não teorizei sobre isso ainda. Eu vou teorizar sobre isso que você falou, e é uma boa observação! Soa como um bate-papo, né? Quando a Maria Lydia (jornalista e apresentadora do Jornal da Gazeta – TV Gazeta/SP) estava conosco, saiam debates mais acalorados, até pela posição ideológica dela, muito divergente da nossa...

Nós (José Paulo, Salomão Ésper e Joelmir Beting) temos o perfil conservador. Eu brinco com essa situação, porque quem não me conhece acha que eu sou um “ricaço” e que eu estou ai pouco me “lixando” com o que acontece com a “plebe rude”? Então, volta e meia eu digo assim: - “Nós reacionários... adeptos do Imperialismo Yankee”... essas coisas, porque eu vejo uma discussão, muito parecida com a que eu via quando era estudante, nos anos 1960. De repente você depara com algo assim “O bem é a Esquerda, e o mal é quem não é da Esquerda”. Então hoje nós estamos com essa discussão ideológica, e o Jornal “Gente” tem esse viés conservador.

Já era assim com o (Vicente) Leporace. Então veja, se é ser de Direita, você querer o cumprimento das leis, a defesa do direito de propriedade, então eu sou de Direita! Sabe, eu sou “direito”! Não é que eu seja de Direita, mas essa discussão volta e meia surge. E agora com o e-mail – que é a maneira mais rápida de o sujeito “dar um soco no seu queixo”- nós recebemos manifestações, porque há um patrulhamento inegável. E tem muita gente sonhando com uma democracia à “venezuelana” para começar, para depois atingir outros patamares. Mas a “venezuelana” num primeiro momento, porque assim surge uma mescla de ditadura com democracia. E tudo isso nós estamos sentindo, cada vez que há uma tentativa de se mexer nas leis, se percebe que tem sempre um viés autoritário no meio.

É a criação do Conselho Nacional de Jornalismo, é a medição antes de uma ação judicial para invasores de terra, então veja que aos poucos eles vão levando para esse lado. Nós precisamos ficar atentos.

33) Voltando um pouquinho para área esportiva, diga aos nossos leitores, qual foi a melhor equipe esportiva que você trabalhou como repórter.

Ah era Fiori Giglioti (narração), Mauro Pinheiro (comentários), Roberto Silva (reportagens) e Luiz Augusto Maltoni (reportagens). E antes disso, o melhor repórter de Rádio que eu conheci, foi o Ethel Rodrigues. Ai ele enveredou para a arbitragem, depois ele teve o problema com o Corinthians, e eu lamentei muito isso.

O Ethel foi um grande incentivador, e nós nos dávamos muito bem. E eu senti muito a morte do Ethel, e nós nem tomamos conhecimento na ocasião. Mas ele ficou arrasado depois daquela experiência como árbitro, e ele foi lá para Minas Gerais, e se escondeu lá. Ai, a ultima vez que eu vi o Ethel, ele veio aqui (na Bandeirantes) e ficou olhando para o estúdio, já sem dentes, e as lágrimas rolaram do rosto dele.

Pelo tempo que ele perdeu, aquela aventura de ser arbitro de futebol, e ele foi o maior repórter esportivo que eu conheci. Então esse foi um dos grandes nomes marcantes. Assim como houveram outros: Darcy Reis, o Flávio Araújo...

34) E como locutor esportivo, qual foi a melhor equipe esportiva que você participou?

Bom, o J. Háwilla foi um deles – hoje ele é dono da Traffic – (risos). O J. Háwilla nasceu para ser rico! Nós já víamos isso. Era uma dureza danada, mas ele tinha aquele... “ar plomp”... ele era o riquinho da nossa Equipe. Mas era muito bom repórter.

Como comentarista, tive o Barbosa Filho. O Barbosa, nós viajamos muitas vezes. Até eu me lembro uma passagem, e nos estávamos no “Castelinho” (tradicional Posto Rodoviário, com formato de castelo) lá em São Carlos. Eu, ele (Barbosa), o Vicente Losi que era um operador maravilhoso que tivemos aqui, e o Barbosa disse assim: - “Olha, daqui a alguns anos vocês vão lembrar: 'Puxa vida, o Barbosa Filho... nós jantamos com ele lá, e ele já morreu’ (risos)” E mais um repórter foi o Francisco de Assis. O Francisco de Assis hoje está em Poços de Caldas, e ele é irmão do Flavio Araújo. É, essa é a turminha que trabalhou comigo aqui. São os repórteres do meu tempo...

35) Como você já citou o nome do saudoso produtor do “Pulo do Gato”, Gualberto Curado - que foi seu grande parceiro -, cite outros nomes de profissionais que trabalharam com você no “Pulo do Gato” e no "Jornal Gente”, que você gostaria de enaltecer.

O Cacá – Carlos Alberto (Vicalvi) foi um grande produtor do nosso Programa. A Eliane Leme – que hoje é Diretora de Divulgação. A Eliane é maravilhosa, é “cria” nossa, e ela foi durante um bom tempo produtora do Programa.

Hoje nós temos a Silvania Alves como coordenadora do Programa, mas o Gualberto marcou pelo tempo até, e pela criatividade dele. Ele foi um profissional, que você não podia dar uma tarefa determinada. Você tinha que deixar ele de coringa, porque ai ele produzia. Você estava lá fazendo o programa, ai ele vinha com uma determinada informação de esportes, e fazia o levantamento e tal. Depois ele aparecia com uma noticia internacional... ele era assim, sabe? Ele ficava aqui de coringa. Mas no “Pulo do Gato” ele se dedicou inteiramente a feitura do programa. Nós discutíamos muito, o que poderia ser colocado no ar, tipo: - “Vamos tentar isso? Vamos tentar aquilo?” Ele sempre vinha com idéias muito boas, muito novas para o Programa.

36) Hoje em dia, pouca gente sabe ou se lembra que você foi conselheiro do São Paulo Futebol Clube. Como foi essa experiência? Nunca surgiu convite ou oportunidade para ser Presidente do clube?

Não, não... lá precisa ser rico pra isso (risos). E também não ter mais nada pra fazer na vida para ser Presidente. Quer dizer, pra ser Diretor tem que ser assim, imagina Presidente!... É preciso ter o tempo total à disposição do clube. Não dá, não dá! Para quem é assalariado, não tem jeito.

Eu sou sócio do São Paulo, desde 1958. Então eu já sou sócio remido, porque ultrapassei os 50 anos de associado. E entre 1990 e 1998, eu fui conselheiro em dois mandatos. E ai eu desiludi um pouco: ficar vivendo política “clubística” não faz meu gênero. Eu gosto é de ser crítico.
  
37) Você fez a citação de ter sido apresentador de Luta-Livre/telecatch...

Ah sim...foi uma fase boa da minha vida aqui. Foi uma fase de grande audiência. O programa chamava “Campeões do Treze”... foi entre 1967 e 1968. Então, eu comecei como anunciador. Eu era magrinho... eu tenho fotos minhas dessa época, e eu digo: -“Não é possível! É outra pessoa”. Eu pesava 58 quilos, e eu ficava lá em cima do ringue. Eu tenho uma foto do Montanha (ex-lutador), e o Montanha me segurando no braço... eu sentado no braço dele! E o Montanha esteve aqui a uns 10 anos atrás, e eu disse à ele: - “Ô Montanha, quero ver agora se você me levanta no seu braço”.

E o Arapuã era o narrador. Então ele me anunciava assim: “Zé Paulo boonnnito de Andrade”... ele fazia um “oba-oba”, e as meninas falavam assim: -“Olha! É o bonito!” E naquele tempo até que eu não era de se jogar fora... Mas ai eu passei a ser o narrador das lutas, depois que ele assumiu como diretor da TV Bandeirantes. Ele estava no primeiro triunvirato que dirigiu a TV Bandeirantes. Então, como ele tinha muita coisa para fazer, ele me passou a narração.

Ai eu fazia tipo: -“É uma poça de sanngueee!!!Como é que pooode!!! E esse árbitro que não para a luta...” E ai eu comecei a perceber, que as pessoas não queriam a verdade. Porque aquilo é uma encenação teatral. Eles eram muito competentes, principalmente os argentinos. O Montanha era argentino. Eles eram muito bom no “telecatch”. E ai, tinha uma senhora que ficava sempre sentada na primeira fila, e ela xingava... Ai um dia ela me parou e disse assim: -“Me fala uma coisa: é verdade que isso tudo que eles fazem é combinado?” Eu respondi -“É um espetáculo, e tal...” E a senhora: -“Não? Mas, e aquele soco que ele deu...?” Ai eu percebi que não deveria falar que era uma coisa encenada, porque as pessoas não queriam. Elas queriam era que tivesse rivalidade entre eles, que um quisesse matar o outro.

Uma vez, me lembro que saiu uma briga no Teatro Bandeirantes, e foi um tal de cadeira voar, e os lutadores tiveram que entrar em ação. Porque tinha um lutador que era muito “mau”. E as pessoas começaram a jogar cadeiras em cima dele, e ai os outros tiveram que entrar na platéia. Teve um que até quebrou o braço, para poder parar uma cadeira. Olha só que coisa violenta! E as pessoas não queriam saber que aquilo era encenado. Elas queriam mesmo era ver “sangue”! E viam, só que era sangue fajuto.

38) Então na TV você narrou Telecatch, apresentou o Tele-jornal “Titulares da Notícia”, e o último foi o “Rede Cidade” ou o “Band Cidade”?

O último foi o “Band Cidade”. O “Rede Cidade”, foi quando da última passagem da Silvia Poppovic, o Alberto Tamer, e o Ênio Mainardi. Aí depois, veio o “Band Cidade”.


39) Por que é que o “Pulo do Gato” nunca foi para a TV?
Não dá certo você levar programas do Rádio para a TV. Eu mesmo resisti a isso. O "Jornal Gente”, quiseram fazer na TV. Eu falei: - “Olha, me desculpa, mas eu quero ser de TV na TV”. Eu não quero ser de Rádio na TV. Não dá certo você levar assim o pacote pronto. Não dá! A TV tem uma linguagem própria. O Rádio depende de “mil palavras”, e a TV “uma imagem e pronto!” E depois na TV, você pode falar a coisa mais inteligente. Mas se você tiver com o cabelo caindo na testa, é isso que vai chamar a atenção.

Ai eu penso: - “Mas e o que eu falei atrás do cabelo?” Passou batido...

40) O que você ainda tem de projetos para o futuro, em se tratando de Rádio?

Sobreviver (risos)... Tem uma discussão hoje sobre Rádio Digital, e eu tenho a impressão que vai demorar muito ainda, e eu não vou ver. Não vou chegar a ver porque há muitos interesses ai envolvidos. É um risco, porque o Rádio hoje tem o “bolo” menor da publicidade, e com o Rádio Digital você vai poder multiplicar o número de Emissoras, e isso não será fácil de fazer, não. Tem muitos interesses envolvidos.

41) O que você gostaria de fazer ainda, que nunca pôde fazer no Rádio?

Olha, eu estou mais é para passar a experiência aos filhos, - tenho 2 filhos - e também aos novos profissionais que estão aqui na casa. Se eu conseguir ao menos passar essa perseverança para se conseguir as coisas aos novos profissionais – porque hoje eles tem pressa para tudo. Na minha época não era assim, as coisas iam mais devagar. Nós sabíamos que havia o tempo certo para crescer.

Hoje, já com 3 meses, eles querem chegar a “chefe”. Então eu procuro passar muito a eles, da necessidade de se instruir, para depois ser um profissional diferenciado. Porque ninguém quer ser “João” na profissão, certo?

42) Para encerrarmos, deixe uma mensagem aos leitores do site BastidoresdoRádio.com.
Então, é isso que eu digo: - “Acredite no que você faz, persevere e busque alcançar o sonho, porque ele pode se tornar realidade. E se não se tornar também, você será feliz da mesma maneira, porque pelo menos você colocou num patamar alto a sua expectativa”.

43) Queremos agradecer muito em nos conceder essa entrevista...
Eu é que fico honrado.

Texto e imagens reproduzidos do site: bastidoresdoradio.com